Governador Mauro Mendes foi espionado pelo regime militar, revelam documentosAs informações mostram que Mendes, então estudante de engenharia elétrica e presidente do Diretório Central Estudantil (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), era vigiado pelas autoridades militares

Cuiabá, Terça-feira, 1º de abril de 2025 – Documentos do Sistema Nacional de Informações (SNI) revelam que o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), foi monitorado durante a Ditadura Militar (1964-1985).
As informações mostram que Mendes, então estudante de engenharia elétrica e presidente do Diretório Central Estudantil (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), era vigiado pelas autoridades militares.
O monitoramento teve início nos anos 1980, às vésperas da redemocratização. Um dos documentos aponta que Mendes participou de uma entrevista ao jornal Correio de Mato Grosso, onde expressou opiniões sobre o sistema político da época.
“Tanto o capitalismo quanto o socialismo, da forma que se apresentam, não são solução para o momento brasileiro de hoje”, declarou o jovem estudante. O SNI sublinhou essa declaração, considerando-a relevante para seu perfil político.
Os registros também indicam que Mendes e outros estudantes participaram do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Bernardo do Campo, em outubro de 1983.
O governo militar detalhou até mesmo o transporte utilizado pelos estudantes mato-grossenses, mencionando a empresa de ônibus e a placa do veículo.
Atualmente, Mauro Mendes tem se aliado a setores políticos que relativizam os crimes cometidos durante a Ditadura.
Ele participou recentemente de manifestações pedindo anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e tem questionado decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como a que tornou réu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A trajetória política de Mendes reflete mudanças significativas ao longo dos anos.
Sua primeira vitória eleitoral ocorreu pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com elogios à então presidente Dilma Rousseff (PT). Posteriormente, aproximou-se de Bolsonaro e de pautas conservadoras.
As informações trazidas pelos documentos do SNI lançam luz sobre um período crítico da história do Brasil e mostram como a juventude do atual governador foi marcada pela vigilância e repressão do regime militar.