Câmara Federal celebra nesta quarta o Dia Internacional das Mulheres e a Conquista do Voto Feminino no Brasil
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Nesta quarta feira, 26 de fevereiro, a Câmara Federal fará uma Sessão Solene, às 9h, para homenagear o Dia Internacional das Mulheres e a Conquista do Voto Feminino e a deputada Gisela Simona(União Brasil) é co-autora deste pedido. A sessão será transmitida ao vivo pela TV Câmara e pelo YouTube. “Como mulher e uma deputada que faz parte da bancada feminina e da bancada negra desde a sua criação em 2023, em uma Câmara formada por 31 parlamentares que se declaram pretos dos 513 que compõem a Casa, me sinto honrada em celebrar nossas conquistas, pois foram asseguradas à duras penas”.
Nesta última segunda-feira(25.02), o voto feminino completou 93 anos. A primeira vitória, de fato, de inclusão eleitoral das mulheres no Brasil. Oficializado em 1932 – pelo Decreto nº 21.076 instituído no Código Eleitoral Brasileiro, e consolidado na Constituição de 1934 -, este direito abriu caminho para a maior participação das mulheres na política. Mesmo que dados das últimas eleições mostrem que o desafio de ampliar a representatividade feminina continuam gigantes. Fazendo-se necessário que as reflexões sobre o tema se pautem bem para além do voto, mas se debrucem – quase um século depois da conquista deste direito -, na baixa representatividade feminina no processo democrático, ainda que representem 52% do eleitorado brasileiro.
Segundo dados da União Interparlamentar, o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking de representatividade nos Parlamentos. Nos cargos eletivos federais, das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, 93 são ocupadas por mulheres (18%); no Senado Federal, das 81, 16 pertencem a elas (19,8%). Assim, para a deputada, é inegável a necessidade de dar musculatura política, à campanhas que conscientizem e sensibilizem a população brasileira sobre a realidade da violência política que atinge de forma permanente as mulheres, especialmente, as negras.
“Mesmo que a gente saiba que todo o processo histórico da humanidade e de suas civilizações tenham sido marcados por critérios de exclusões e barreiras como forma de inibir as pessoas de sua cidadania plena, as mulheres inequivocamente, foram os maiores alvos. Desta forma, não só o debate sobre o voto feminino continua contemporâneo, mas também a pouco dias de celebramos o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, observamos a necessidade de reiterarmos a paridade, como forma de garantir igualdade. Pois continuamos a ser bombardeadas diariamente pela desigualdade de gênero, por ataques ininterruptos psicológicos, físicos, sexuais, patrimoniais e morais. Mostrando que apesar de uma luta sem tréguas, continuamos desrespeitadas”.
“Quando paramos para pensar em todo o processo que nos trouxe até aqui, há uma sensação inequívoca de vitórias. Mas todas acompanhadas de muitas lágrimas e perseguições. Sobretudo, uma luta exaustiva e diária de enfrentamento à uma estrutura patriarcal que ainda hoje nos quer longe da ambiência política, nos quer longe de nossas vontades, necessidades e escolhas”, pontua a deputada mato-grossense.
Ainda para a parlamentar, esta invisibilidade histórica que vem sendo continuamente tema de rodas de conversas e das manifestações dos coletivos que discutem a representatividade da mulher, torna esta solenidade de extrema importância.
“Não poderia poderia deixar passar duas celebrações de suma importância para nós: o Voto Feminino e o Dia Internacional da Mulher. Sobretudo como uma mulher e deputada negra. Para alguns, só uma característica, para nós uma conquista histórica digna de agradecimento a toda a nossa ancestralidade que, com suas lutas, nos fizeram chegar aqui”.