MT inaugura escola evangélica com nome de igreja; Ministério Público investiga

A Escola Estadual Evangélica Assembleia de Deus foi inaugurada, nesta sexta-feira (24), em Barra do Bugres, a 169 km de Cuiabá. O nome religioso é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e especialistas ouvidos pelo g1 divergiram sobre a constitucionalidade da escolha do nome, diante do estado laico.
O advogado mestre em direito constitucional, André Trapani, apontou que a nomeação fere, em seu entendimento, a Constituição Federal.
“A Constituição estabelece que o estado é laico, ou seja, não pode ter preferência a igrejas ou religiões. O nome da escola, que é pública, deve respeitar a laicidade do Estado e pode ser sensível a pessoas de outras religiões que queiram matricular seus filhos lá. Então, sim, há uma inconstitucionalidade no nome”, afirmou.
Já o advogado Felipe Amorim Reis, presidente da Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), explicou que não vê inconstitucionalidade na questão.
“Embora seja um prédio público, é uma instituição de ensino, não é nenhum outro tipo de serviço público. Da mesma forma que [prédios públicos do estado] têm nome de igreja protestante, também têm com nome espírita e católica, de outras religiões. Por essa razão, não vejo inconstitucionalidade”, afirmou.
Conforme Reis, o Supremo Tribunal Federal (STF) já julgou uma questão semelhante envolvendo a palavra “Deus” escrita no início da Constituição Brasileira, a respeito da proteção divina.